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FCF recebe pesquisadores estrangeiros para discutir farmacogenômica e epigenética

Imagem: National Human Genome / Research Institute

No mês de novembro, a Faculdade de Ciências Farmacêuticas receberá os pesquisadores estrangeiros Susumu Kobayashi (Harvard Medical School e Beth Israel Deaconess Medical Center), Nicolás René Saavedra Cuevas e Kathleen Francinette Saavedra Peña (Universidad de La Frontera, Chile), que ministrarão aulas na disciplina Farmacogenômica e Epigenética (CF046 — Tópicos Especiais em Ciências Farmacêuticas, turma A, 1 crédito), sob responsabilidade da professora Patricia Moriel.

As aulas da disciplina acontecerão no Anfiteatro da Farmacologia, localizado no 3º piso do prédio FCM-10, entre o CAISM e o HC, nas seguintes datas e horários:

  • 26/10 [quarta] (9h às 12h) — aula introdutória com a professora Patricia Moriel
  • 1/11 [terça] (9h às 11h) e 4/11 [sexta] (9h às 13h) — aulas com o prof. Susumu Kobayashi
  • 11/11 [sexta] 18/11 [sexta] (9h às 11h) — aulas com os profs. Nicolás René Saavedra Cuevas e Kathleen Francinette Saavedra Peña

Matrícula

Os estudantes de pós-graduação poderão se matricular na disciplina até 6 de outubro ou incluir a disciplina no período de alteração de matrícula (11 a 13 de outubro).

O procedimento deve ser feito no e-DAC, menu “Matrícula” e “Alterar matrícula”.

Mais informações podem ser obtidas com a Secretaria de Pós-Graduação da FCF pelo e-mail seccpg@fcf.unicamp.br.

Pesquisa FAPESP: Clareador dental de cogumelo

Produto com menos efeitos adversos é desenvolvido em projeto interdisciplinar de universidades paulistas

Tiago Jokura, da Revista Pesquisa FAPESP | Foto: Pedro Amatuzzi / Inova Unicamp

Um tipo de cogumelo apreciado no Brasil e muito utilizado na culinária asiática poderá ser uma alternativa em um futuro próximo para um dos procedimentos odontológicos mais comuns no país, o clareamento dental. A novidade, criada por um grupo interdisciplinar de pesquisadores das universidades Estadual de Campinas (Unicamp) e Federal de São Paulo (Unifesp), é uma substância feita a partir de um extrato à base de shimeji-preto capaz de remover manchas dos dentes. Segundo seus inventores, o produto desgasta menos o esmalte dentário e não apresenta o efeito colateral da hipersensibilidade, comum após a aplicação de clareadores convencionais disponíveis no mercado.

A fim de acelerar o desenvolvimento de um modelo comercial do novo clareador, a startup WeBee, spin-off da Unicamp, firmou com as duas universidades um contrato de licenciamento do pedido de patente da formulação, depositado no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Com recursos do programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe), da FAPESP, a WeBee pretende testar o extrato em duas formulações: como gel – aplicado em moldes dentais – e enxaguatório bucal. “Tudo correndo bem, prevemos que a primeira versão comercial ficará pronta em cerca de 20 meses”, informa a biotecnologista Dayse Alexia, criadora da startup.

A empreendedora enumera as principais vantagens da invenção, formulada à base de água e do fungo. “Além da composição natural, o extrato provoca menos efeitos colaterais do que os clareadores tradicionais, que podem causar dor, hipersensibilidade, inflamação da gengiva, sensibilidade gástrica, alterações de pH e desmineralização da estrutura dentária.”

A odontologista Débora Alves Nunes Leite Lima, da Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP), da Unicamp, explica que os clareamentos mais comuns, com peróxido de hidrogênio e carbamida, já são capazes de remover pigmentos sem comprometer a estrutura dental. Contudo, essas substâncias podem causar alterações microscópicas no esmalte, como a desmineralização dos dentes. “O agente clareador de shimeji também beneficia pacientes que apresentem alguma alergia ou sensibilidade a formulações convencionais”, afirma Lima, que integrou a equipe responsável pela inovação.

A nova aplicação estética em odontologia empregando fungos comestíveis coube a um time de pesquisadores de três unidades da Unicamp – a FOP, a Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) e a Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) – e do Programa de Pós-graduação em Medicina Translacional da Escola Paulista de Medicina (EPM) da Unifesp. Os inventores e a WeBee foram reconhecidos em maio pela Unicamp com o Prêmio Inventores, que tem como foco contratos de licenciamento de propriedade intelectual.

“A investigação se originou a partir da tese de Maria Cibelle Pauli, uma das minhas alunas no doutorado pela Unifesp”, conta a farmacêutica Gislaine Ricci Leonardi, atualmente professora de cosmetologia da FCF-Unicamp. Motivada pelo potencial da pesquisa de Pauli, focada em clareamento dental, Leonardi convidou o engenheiro de alimentos Juliano Lemos Bicas, do Departamento de Ciência de Alimentos e Nutrição da FEA-Unicamp, para participar do projeto.

“A professora Gislaine me procurou para investigarmos clareadores dentais feitos a partir de alimentos. Sugeri, então, estudarmos as enzimas oxirredutases, que já sabíamos que têm a propriedade de degradar pigmentos”, recorda-se Bicas. “A partir daí, testamos quatro tipos de cogumelos vendidos em supermercados: shitake, shimejis branco e preto, e cogumelo paris, todos eles ricos em enzimas oxirredutases. Desses, o que apresentou melhores resultados foi o shimeji-preto.”

Nos testes em laboratório, o extrato de shimeji se mostrou seguro tanto em aplicações in vitro como em partes de dentes bovinos – essa fase da pesquisa foi aprovada pela Comissão de Ética no Uso de Animais da Unicamp. A próxima etapa do desenvolvimento, em planejamento, prevê o teste das duas diferentes formulações (gel e enxaguatório) em humanos.

Durante os estudos, os pesquisadores tiveram uma surpresa quando procederam à esterilização da matéria-prima. Ao expor o cogumelo a altas temperaturas, a expectativa era de que o processo inibisse a ação das enzimas. “Em vez de inativar a propriedade clareadora, o aquecimento aumentou o potencial do extrato. Isso sugere que a ação de clareamento talvez não seja provocada exclusivamente ou diretamente pelas enzimas. Ainda não sabemos o porquê disso”, conta Bicas.

Uma desvantagem do extrato de shimeji é clarear cerca de 25% a menos do que os produtos convencionais. “Curiosamente, esse pode ser um aspecto positivo da formulação, já que muitas vezes a pessoa prefere uma aparência mais natural em vez daquele branco artificial nos dentes”, conta o engenheiro de alimentos da Unicamp.

Para a odontologista Amélia Mamede, diretora de Promoção da Saúde da Associação Brasileira de Odontologia (ABO) que não participou da pesquisa, o produto, considerado por ela “conservador”, deve trazer benefícios aos usuários por ser uma tecnologia sustentável. “Esse tipo de estudo e desenvolvimento deve ser incentivado em todas as universidades para que haja mais tecnologias sustentáveis e apoiadas no tripé ambiental, econômico e social.”

A nova aplicação estética do shimeji-preto também pode resultar em ganhos para os produtores de fungo, normalmente pequenos empreendedores. Como o talo e outras parcelas descartáveis do fungo são tão eficazes no clareamento como as partes vendidas nos supermercados – principalmente o chapéu –, os produtores poderiam aumentar a renda e ao mesmo tempo diminuir o desperdício do cultivo. “Como não precisamos da parte comestível para fazer o clareador, nossa demanda não compete com o alimento”, destaca Bicas. “Em vez de descartar os talos, os pequenos produtores poderiam vendê-los, obtendo uma fonte de renda extra.”

Empreendedorismo
A criação de spin-offs como a WeBee já existe há décadas na Unicamp. Esse movimento, porém, intensificou-se recentemente em razão de mudanças regulatórias favoráveis aos micro e pequenos negócios, como a sanção do Projeto de Lei Complementar no 146/2019, conhecido como marco legal das startups e do empreendedorismo inovador, em 2021 (ver Pesquisa FAPESP no 305), e a aprovação da Política de Inovação da Unicamp, em 2019.

Ana Frattini, diretora-executiva da Agência de Inovação Inova, afirma que a meta da agência é estimular a criação de pelo menos duas spin-offs por ano e fazer o licenciamento de 20 novas tecnologias. De acordo com ela, o modelo adotado pela instituição estimula a transferência de conhecimento gerado na universidade por meio da criação de novos negócios baseados em ciência e tecnologia, com potencial de gerar impacto social, econômico e ambiental.

“Ao licenciar uma tecnologia da Unicamp, os empreendedores reduzem o tempo, o custo e o risco envolvidos no desenvolvimento de inovações”, comenta a executiva. “Esse modelo movimenta o conceito da tríplice hélice, no qual universidade, governo e empresas interagem para que a inovação aconteça e gere impactos positivos na sociedade.”

Projeto
Produto clareador dental à base de resíduo industrial do processamento de cogumelos (no21/04241-9); Modalidade Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe); Pesquisadora responsável Dayse Alexia de Carvalho de Brito (WeBee); Investimento R$197.967,96.

Este texto foi originalmente publicado por Pesquisa FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui.

Pós-Graduação da FCF oferece curso de estratégias para publicação de artigos científicos

Preciso Publicar Meu Paper — Estratégias para Publicar seu Trabalho Científico é o tema do curso que será ministrado por André Moreni Lopes, pesquisador visitante convidado da Faculdade de Ciências Farmacêuticas e professor colaborador do Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas.

O objetivo do curso é estimular, proporcionar e capacitar o aluno de pós-graduação, a partir de problemas e situações reais, a redigir textos científicos — dissertações, teses, e, principalmente, de artigos científicos.

As aulas terão início em 11 de outubro de 2022, às 14 horas, e ocorrerão às terças e quintas-feiras, das 14h às 16h, até o dia 6 de dezembro.

Interessados podem se matricular de 4 a 6 de outubro

De 4 a 6 de outubro — período de matrícula em disciplinas da 2ª metade do 2º período letivo de 2022 da pós-graduação da Unicamp —, os interessados, desde que sejam estudantes regularmente matriculados em um curso de pós-graduação da Unicamp, poderão solicitar a matrícula na disciplina CF043 — Tópicos Especiais em Ciências Farmacêuticas I, turma A. O procedimento deve ser feito pelo e-DAC, link “Matrícula” e “Alterar matrícula”.

Processo Seletivo — Mestrado e Doutorado em Ciências Farmacêuticas

Está publicado o Edital CPG/FCF 2/2022, referente ao processo seletivo para ingresso no primeiro semestre de 2023, com vagas para os cursos de Mestrado e Doutorado em Ciências Farmacêuticas.

O período de inscrições será de 24 a 31 de outubro de 2022. O processo seletivo será realizado de 21 a 25 de novembro de 2022, em data e horário a serem divulgados na convocação dos candidatos.

As atividades dos candidatos aprovados para as vagas oferecidas nesse edital terão início em março de 2023.

FCF recebe o professor Mandip Sachdeva

No último dia 11 de julho, visitou a Universidade Estadual de Campinas o professor Mandip Singh Sachdeva, do College of Pharmacy & Pharmaceutical Sciences da Florida A&M University, em Tallahassee, onde coordena o Sachdeva Laboratory, cuja equipe de pesquisadores utiliza a nanotecnologia com foco no tratamento de doenças como o câncer de mama e o câncer de pulmão, além de ferimentos na córnea e obesidade.

Na ocasião, o prof. Sachdeva — que está no Brasil como professor visitante da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo, com financiamento do Programa Fulbright — ministrou a palestra Cannabidiol loaded extracellular vesicles sensitize triple-negative breast cancer to doxorubicin in vivo (em português: “Vesículas extracelulares carregadas de canabidiol sensibilizam câncer de mama triplo negativo à doxorrubicina in vivo”), discutindo o emprego terapêutico de canabinóides (Δ9-THC e CBD) na regulação da proliferação, metástase, angiogênese e diferenciação de células cancerígenas. O estudo foi publicado em 2021 no International Journal of Pharmaceutics.

Também dialogou com docentes e estudantes de graduação e pós-graduação do curso de Farmácia e dos Programas de Ciências Farmacêuticas, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, de Biologia Funcional e Molecular, do Instituto de Biologia, e de Biologia Buco-Dental, da Faculdade de Odontologia de Piracicaba.

O professor Mandip Sachdeva, da Florida A&M University, e o professor Paulo Rosa, da FCF/Unicamp (Foto: Prof. Marcelo Bispo de Jesus)

Pós-graduandas da FCF conquistam o Desafio Unicamp 2022 na categoria Voto Popular

A equipe NanoSilver venceu o Desafio Unicamp 2022, organizado pela Agência de Inovação da Unicamp — Inova, na categoria Voto Popular.

Formado pelas estudantes de pós-graduação da Faculdade de Ciências Farmacêuticas Érica Mendes dos SantosJúlia Cedran Côco e Luiza Aparecida Luna Silvério, do Laboratório de Farmacotécnica e Cuidado em Saúde — LaFateCS, e Kátia de Pádua Silva, do Laboratório de Farmacologia de Antimicrobianos e Microbiologia — LabFAM, o time teve mentoria acadêmica da Drª Raluca Savu, pesquisadora do Centro de Componentes Semicondutores e Nanotecnologias, e da Profª Drª Ljubica Tasic, do Instituto de Química, credenciada no Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas.

Leia mais: Agro prevalece e emplaca dois vencedores na Final do Desafio Unicamp

Ao longo do processo, a equipe também teve mentorias com Tiago Dias, Vital Yasumaru, Talita da Silva Ferreira, Marcos Vaz e Erik J. Sander, da University of Florida. As pós-graduandas desenvolveram um modelo de negócios para produção e venda de um spray para assepsia das mãos, voltado inicialmente para estabelecimentos como escolas de educação infantil e buffets infantis, com foco na prevenção de acidentes. O saneante, a base de água, utiliza a tecnologia de nanopartículas de prata elaborada na Unicamp, sendo um substituto seguro para o álcool em gel.

O pitch da equipe por ser visto a seguir:

O Desafio Unicamp, que chega à décima segunda edição em 2022, é um programa de desenvolvimento de habilidades empreendedoras com mentorias acadêmicas, empresariais, internacionais, capacitação de Lean Canvas e impacto socioambiental, além de treinamentos de pitch, ao longo de quatro meses. Os finalistas passaram por duas fases de avaliação antes de serem selecionados para apresentar o pitch na final do programa.

FCF na Grande Final do Desafio Unicamp 2022

A equipe NanoSilver, formada pelas estudantes de pós-graduação da Faculdade de Ciências Farmacêuticas Érica Mendes dos Santos, Júlia Cedran Côco e Luiza Aparecida Luna Silvério, do Laboratório de Farmacotécnica e Cuidado em Saúde — LaFateCS, e Kátia de Pádua Silva, do Laboratório de Farmacologia de Antimicrobianos e Microbiologia — LabFAM, é uma das seis finalistas do Desafio Unicamp 2022, organizado pela Agência de Inovação da Unicamp — Inova, que chega à 12ª edição neste ano.

As discentes convidam toda a comunidade FCF para assistir às apresentações no dia 30 de junho, quinta-feira, às 15 horas, por meio virtual. As inscrições podem ser feitas nesta página.

Na ocasião, o público participante poderá votar na equipe, que concorre ao prêmio da categoria Voto Popular, além das categorias Geral e Impacto Socioambiental.

Processo Seletivo — Mestrado e Doutorado em Ciências Farmacêuticas

Está publicado o Edital CPG/FCF 1/2022, referente ao processo seletivo para ingresso no segundo semestre de 2022, com vagas para os cursos de Mestrado e Doutorado em Ciências Farmacêuticas.

O período de inscrições será de 6 a 10 de junho de 2022. O processo seletivo será realizado de 27 de junho a 1º de julho, em data e horário a serem divulgados na convocação dos candidatos.

As atividades dos candidatos aprovados para as vagas oferecidas nesse edital terão início em agosto de 2022.

Tecnologia amplia estabilidade de proteína cicatrizante do abacaxi

Composição em pó desenvolvida na Unicamp mantém integridade da bromelina por até 90 dias. Desenvolvimento colabora para que a substância natural, extraída de cascas e talos da fruta, seja aplicada em produtos farmacêuticos e cosméticos

Texto: Ana Paula Palazi | Foto: Pedro Amatuzzi | Publicado em 16 de dezembro de 2021

O abacaxi é cultivado em praticamente todo o território nacional. Para além de um alimento nutritivo e refrescante, que é a cara do verão, a fruta possui a bromelina: um complexo de substâncias com propriedades terapêuticas, cicatrizantes e anti-inflamatórias. A bromelina está presente em todas as partes do abacaxi, verde ou maduro, da raiz à coroa, só que essa enzima é muito instável e se degrada facilmente, reduzindo as possibilidades de uso pela indústria.

Com o desafio de superar essa limitação na busca por curativos sustentáveis, um grupo de pesquisadores da Unicamp colocou em prática a expressão “descascar o abacaxi”, utilizada para tarefas complicadas, e desenvolveu uma composição contendo nanopartículas liofilizadas que preservam a bromelina em temperatura refrigerada por até 90 dias.

Dessa forma, em pó, ela pode ser aplicada em sprays, emplastos, pomadas e outros produtos farmacêuticos e cosméticos. A tecnologia teve pedido de patente depositado pela Agência de Inovação Inova Unicamp e aguarda parcerias com a indústria para avançar na fase de testes e desenvolvimento de novos produtos.

“Buscamos o desenvolvimento de produtos que reduzam impactos a partir de ativos de origem natural, como os resíduos da industrialização do abacaxi, para que possam ter um fim mais nobre e diferente do descarte. Nossa solução propõe encapsular a substância, diferente de estudos nos quais a bromelina vem apenas decorando nanopartículas do lado de fora”, disse a professora e pesquisadora da Unicamp Priscila Gava Mazzola.

Secagem a frio da bromelina

Na formulação para o tratamento de feridas elaborada pela equipe ligada à Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) e à Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, a bromelina faz parte de uma mistura que contém outros dois componentes: a quitosana (extraída das cascas de crustáceos, como camarão, caranguejo e lagosta) que funciona como agente encapsulador e a maltose (um açúcar muito usado na produção de cervejas) que protege a composição contra variações térmicas as quais podem degradar a bromelina.

“Fizemos a encapsulação da bromelina em nanopartículas de quitosana, porém, percebemos que, na formulação líquida, a bromelina ainda se degradava. Em nova etapa, procuramos liofilizar a composição bromelina-quitosana com um açúcar como lioprotetor. Utilizamos a maltose e a partícula se manteve estável e eficaz por até três meses”, explicou a farmacêutica e pesquisadora Janaína Artem Ataide.

A liofilização é uma técnica muito utilizada na indústria e consiste na secagem a vácuo a partir do congelamento do produto, retirando a água por sublimação. Alguns alimentos vendidos como purê de batatas e frutas desidratadas, além de medicamentos, passam por esse processo para manterem íntegras algumas propriedades desejáveis. O resultado da pesquisa foi publicado, recentemente, em artigo científico no Journal of Drug Delivery Science and Technology.

“Nesse processo, adicionamos os lioprotetores que são moléculas para aumentar a proteção térmica. Eles mimetizam o que acontece na própria natureza. Alguns peixes que vivem em lagos com temperaturas subglaciais têm concentrações de açúcares nas células e, isso, permite a sua sobrevivência”, explica o farmacêutico e pesquisador Danilo Costa Geraldes.

Leia também o artigo sobre as atividades in vitro da formulação na Nature Scientific Reports.

Mercado promissor

O Brasil produz em média 1,7 bilhão de abacaxis ao ano, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), e grande parte dos resíduos industriais da produção de frutas em calda, sucos e geleias vai para alimentação de animais. A tecnologia propõe o aproveitamento integral da fruta, agregando valor à produção.

No país, o uso mais comum da bromelina é associado a amaciantes de carne, isso porque, entre as propriedades do complexo está o de quebrar moléculas de outras proteínas. Em ferimentos e queimaduras, essa atividade fibrinolítica auxilia na limpeza e remoção das células mortas, acelerando a cicatrização e reduzindo edema, hematomas e dor.

A quitosana, por sua vez, possui características adesivas, antifúngicas e bacteriostáticas já usadas em sistemas de liberação modificada de fármacos como antibióticos, anti-inflamatórios e anti-hipertensivos. A bromelina com nanoestruturação baseada em quitosana apresenta uma alternativa para uma produção verde de cosméticos e medicamentos.

“A composição desenvolvida não contém solventes orgânicos ou aditivos sintetizados quimicamente, como conservantes. É obtida por processo sustentável, baseado em excipientes naturais, biocompatíveis e bioabsorvíveis, que não apresentaram toxicidade nos testes in vitro em culturas de células”, destaca a professora e pesquisadora Laura de Oliveira Nascimento.

A composição também apresentou maior taxa de incorporação da bromelina quando comparada com a forma líquida. O pó liofilizado, por seu baixo teor de água, adere melhor a feridas com exsudato (etapa natural da cicatrização, na qual o ferimento expele líquido), enquanto a quitosana, rapidamente hidratada, adere melhor ao tecido a ser reparado.

Pesquisa FAPESP: Em silêncio, a sífilis avança

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Doença foi a que mais cresceu entre as infecções sexualmente transmissíveis de 2010 a 2019, propagada pelo comportamento sexual desprotegido

Carlos Fioravanti, da Revista Pesquisa FAPESP

Em 2013, antes de passar a se dedicar exclusivamente a atividades acadêmicas, a ginecologista Angélica Miranda, da Universidade Federal do Espírito Santo, recebeu em seu consultório uma mulher intrigada com as manchas vermelhas na pele que outros quatro médicos não haviam conseguido diagnosticar de modo satisfatório. “Era uma mulher jovem, com parceiro único, que não se achava em risco para infecções sexualmente transmissíveis”, conta a médica.

Confirmado por exames de sangue, o diagnóstico indicou sífilis, doença causada pela bactéria Treponema pallidum e transmitida por contágio sexual. O marido da paciente negou qualquer responsabilidade, no início, mas depois contou que, semanas antes, em uma viagem de trabalho, saiu para uma noitada com colegas, bebeu demais, teve uma relação sexual sem preservativo e se infectou. O casal recebeu injeções de penicilina e a infecção desapareceu em poucos dias.

Alimentada pelo desconhecimento de profissionais da saúde e pela dificuldade na interpretação do diagnóstico, a doença reemergiu com força e se tornou a infecção sexualmente transmissível (IST) que mais se expandiu na última década. De acordo com o Boletim do Ministério da Saúde (MS) de outubro de 2020 (ver gráficos), o número de casos registrados da chamada sífilis adquirida (transmitida por meio do contato sexual) passou de 3.925 em 2010 para 152.915 em 2019, principalmente na faixa de idade entre 20 e 39 anos. O das outras duas formas também aumentou – em gestantes (uma das formas de sífilis adquirida, tratada separadamente), passou de 10.070 para 61.127 e a congênita transmitida da mulher para o feto), de 2.313 para 6.354 nesses 10 anos.

A sífilis congênita é de notificação obrigatória desde 1986 e a de gestantes desde 2005. A adquirida, porém, apenas desde 2010. Nesse caso, “é esperado um aumento à medida que mais serviços, cidades e estados passem a implementar a nova notificação”, comenta o epidemiologista Ivan França Júnior, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP). “A sífilis adquirida pode ser uma endemia [doença restrita a um lugar ou região] ignorada que pode parecer uma epidemia [doença com número de casos acima do esperado em mais de um lugar], pois começou a ser notificada há relativamente pouco tempo.”

O número de casos de sífilis congênita cresce também em razão de falhas no acompanhamento das mães infectadas. “As gestantes que tiveram sífilis durante o pré-natal não retornam aos postos de saúde para fazer o acompanhamento dos bebês”, diz Miranda. De acordo com um estudo de que participou, publicado em maio deste ano na Revista de Saúde Pública, a infecção aumenta em duas vezes o risco de nascimentos prematuros, que poderiam ser evitados com mais consultas médicas durante a gestação. As conclusões se baseiam na análise de 478 casos de sífilis congênita tratados em 10 maternidades públicas de Fortaleza, no estado do Ceará.

“Nunca foi simples diagnosticar e controlar a sífilis”, diz a médica epidemiologista Maria Amélia Veras, da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCM-SC-SP). “Os testes estão sujeitos a diferentes interpretações e o seguimento dos pacientes é difícil.” Outro problema, segundo ela, é que raramente se consegue tratar também os parceiros das mulheres, o que aumenta o risco de reinfecção.

Veras coordenou uma avaliação da sífilis entre 1.280 travestis e mulheres trans em cinco capitais brasileiras, com apoio da Organização Pan-americana de Saúde (Opas) e do MS. Os resultados preliminares indicaram que cerca de 60% das participantes do estudo tinham anticorpos contra T. pallidum e, nesse grupo, 40% apresentavam sinais da infecção causada pela bactéria no momento da entrevista. A infecção se expressa por meio de feridas indolores no pênis, no ânus ou na vulva e manchas na pele, na sola dos pés. Quando a doença progride, podem surgir danos nos olhos, nos ouvidos ou no cérebro.

Descaso com o uso do preservativo

O número de casos registrados de IST, vistas em conjunto, aumentou 64,9% na faixa etária de 15 a 19 anos e 74,8% na  de 20 a 24 anos, de 2009 a 2019, de acordo com o MS. Para a médica epidemiologista Gerusa Maria Figueiredo, da Faculdade de Medicina da USP (FM-USP), esse aumento reflete, de um lado, um aprimoramento do sistema de vigilância epidemiológica na detecção de casos e, de outro, o descaso com o uso do preservativo.

“As pessoas assumem ou desprezam o risco de contrair uma IST”, diz Figueiredo. Reiterando essa conclusão, em um estudo de 2020 da Sociedade Brasileira de Urologia com 478 participantes (78% homens e 22% mulheres, de 22 estados brasileiros), 80% dos entrevistados afirmaram conhecer as ISTs, mas não se consideravam em risco, aventado por apenas 11%.

“Muitos jovens se sentem isentos do risco porque têm um parceiro ou parceira de cada vez, por 30 ou 40 dias. O problema é que podem ter 10 parceiros no ano, o que aumenta muito o risco de contraírem ISTs”, observa a farmacêutica Taís Freire Galvão, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade Estadual de Campinas (FCF-Unicamp) e uma das editoras da edição especial da revista Epidemiologia e Serviços de Saúde, publicada em março com 18 artigos apoiados na versão mais recente do Protocolo clínico e diretrizes terapêuticas para atenção integral às pessoas com infecções sexualmente transmissíveis.

Publicado em abril de 2020 pelo MS, o protocolo detalha as formas de prevenção, diagnóstico e tratamento de 12 doenças sexualmente transmissíveis, causadas por bactérias ou vírus. No primeiro grupo estão, entre outras, a Neisseria gonorrhoeae, responsável pela gonorreia, sinalizada pela dificuldade de urinar e coceira nos olhos (se infectados, recém-nascidos podem até mesmo perder a visão), e a Chlamydia trachomatis, que desencadeia o linfogranuloma venéreo, expresso por feridas grandes e dolorosas na região genital, em geral combatidas por meio de antibióticos. No segundo estão os vírus causadores da Aids e do herpes genital, além da febre zika (o vírus da zika tem transmissão também por via sexual e, nesse caso, é possível evitar com uso de preservativo). Três infecções virais podem ser combatidas por meio de vacinas: as hepatites A e B e a causada pelo papilomavírus humano (HPV).

Doenças se somam


Uma infecção pode abrir caminho para outra. “Quem tem úlcera anogenital causada pela bactéria Haemophilus ducreyi pode ter corrimento uretral por Chlamydia ou gonorreia”, diz Miranda, desde junho de 2019 coordenadora-geral de Vigilância de IST do MS. Segundo ela, quem contrai uma IST tem 40% de risco de coinfecção por outro patógeno.

“A queda na imunidade e o comportamento de risco favorecem a coinfecção”, observa Galvão. Essa situação ajuda a explicar o surto de hepatite A na cidade de São Paulo em 2017, com 786 casos confirmados, dos quais 41% se declararam homens que fazem sexo com homens (HSH), de acordo com a Coordenadoria de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal Saúde de São Paulo (Covisa/SMS/SP). No ano anterior, o sistema de saúde da capital havia registrado 64 casos de hepatite A.

Para amenizar a propagação das ISTs, Galvão defende uma educação sexual “aberta, clara e sem estigmas”. “Algumas escolas agora estão recomendando a abstinência aos meninos e meninas”, diz ela. “Mas não funciona, porque a natureza humana negligencia os riscos e ninguém acha que vai pegar uma infecção por meio de relações sexuais desprotegidas.”

Em 2017, a pedido de um centro de saúde do bairro de Santa Genebra, em Campinas, estudantes do curso de farmácia da Unicamp visitaram uma escola estadual próxima à universidade para falar sobre prevenção de IST. Antes, colocaram uma urna na escola e pediram que os alunos escrevessem suas dúvidas e as deixassem ali. Uma das perguntas que os pesquisadores encontraram: “Pode-se engravidar fazendo sexo anal?”.

Em outro estudo da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) com 170 meninos e 87 meninas de 12 estados brasileiros, 24% dos entrevistados afirmaram não conversar com ninguém sobre sexo, o que sugere ainda grande desconhecimento sobre as ISTs.

Os 40 anos da Aids

Na edição de 5 de junho de 1981, ao relatar cinco casos de homens homossexuais, com idade entre 29 e 36 anos, que haviam contraído uma forma de pneumonia até então encontrada apenas em pessoas com o sistema imune debilitado, o boletim Morbidity and Mortality Weekly Report, dos Centros de Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos, marcava o início do reconhecimento de uma nova enfermidade, a síndrome de imunodeficiência adquirida (Aids). Desde então, a pandemia de HIV/Aids causou a morte de pelo menos 34,7 milhões de pessoas, com 1,5 milhão delas infectadas em 2020, de acordo com o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (Unaids), e está longe de terminar.

A Aids emergiu entre os gays e depois atingiu os heterossexuais, por meio da transmissão sexual, vertical (da gestante para o feto) e por transfusão de sangue. Muito temida, inicialmente causava a morte em poucas semanas após o diagnóstico. A descoberta do AZT (zidovudina) e outros medicamentos antivirais prolongou a sobrevida das pessoas com HIV/Aids. Nesta última década se acrescentou a Profilaxia pré-exposição sexual (PrEP), uma pílula de uso diário que evita a infecção pelo vírus da Aids, que deixou de ser fatal, embora o estigma continue.

Quatro décadas depois, persistem algumas barreiras para enfrentar o problema. “A descriminalização e o empoderamento das profissionais do sexo de todos os gêneros são eficazes para a prevenção do HIV”, comentou o epidemiologista Chris Beyrer, da Universidade Johns Hopkins, Estados Unidos, em um artigo publicado na revista médica britânica The Lancet em 5 de junho. “E ainda há muitos lugares onde é difícil ou impossível para homens que fazem sexo com homens e pessoas trans terem acesso aos serviços de HIV com segurança e dignidade.”

No Brasil, o primeiro caso foi registrado em 1980, em São Paulo, mas a classificação como sendo Aids ocorreu dois anos mais tarde. A incidência continua crescente: de acordo com o Boletim Epidemiológico – Aids, do Ministério da Saúde, de dezembro de 2020, o número de casos notificados passou de 9.274 em 2009 para 41.919 em 2019.

“A situação do Brasil é heterogênea”, avalia a médica epidemiologista Gerusa Maria Figueiredo, da FM-USP. “De 2009 a de 2019, o número de casos caiu nas regiões Sul e Sudeste, mas se manteve estável ou mesmo aumentou nas outras.” Até agora, ela lembrou, o MS certificou a eliminação vertical (da gestante para o feto) do HIV apenas para três cidades: Curitiba e Umuarama, ambas no Paraná, e São Paulo.

Em 2018, além dos tratamentos com medicamentos antivirais, o sistema público de saúde começou a distribuir a PrEP. Mas o conhecimento dos potenciais usuários sobre essa forma de prevenção ainda é baixo, de acordo com um estudo da USP de Ribeirão Preto publicado em janeiro na BMC Public Health. As conclusões se apoiaram em entrevistas com 397 pessoas com HIV que se tratavam em cinco centros de saúde do município de Ribeirão Preto.

“A PrEP funciona, mas a cobertura populacional ainda é baixa”, diz a médica epidemiologista Maria Amélia Veras, da FCM-SC-SP. “Homens brancos homossexuais com maior nível socioeconômico têm mais acesso a esse tratamento que os grupos mais vulneráveis de gays, HSH, travestis e trans.” Estudos recentes de sua equipe e de outras, como a da Universidade Federal do Ceará, indicaram que 25% da população de gays e outros HSH na cidade de São Paulo e 18% no país estão infectadas pelo HIV. Entre travestis e mulheres transexuais, a prevalência é de 38% na cidade de São Paulo e 30% no Brasil.

Artigos científicos


Boletim Sífilis 2020. Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde Número Especial. out. 2020.
ARAÚJO, M. A. L. et al. Fatores associados à prematuridade em casos notificados de sífilis congênita. Revista de Saúde Pública. v. 55, n. 28, p. 1-10. 17 mai. 2021.
Protocolo clínico e diretrizes terapêuticas para atenção integral às pessoas com infecções sexualmente transmissíveis (IST). Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis. Brasília: Ministério da Saúde, 2020.
GALVÃO, T. F. et al. Atenção integral às pessoas com infecções sexualmente transmissíveis. Epidemiologia e Serviços de Saúde. v. 30, supl. esp., p. 1-2. 15 mar. 2021.
Pneumocystis pneumonia—Los Angeles. MMWR Morbidity and Mortality Weekly Report. v. 30, n. 21, p. 250-2. 5 jun. 1981.
Boletim Epidemiológico – Aids. Ministério da Saúde. dez. 2020.
BEYER, C. A pandemic anniversary: 40 years of HIV/Aids. Lancet. v. 397, n. 10290, p. 2142-3. 5 jun. 2021.
SOUSA. L. R. M. et al. Knowledge of PEP and PrEP among people living with HIV/Aids in Brazil. ¨C39C. v. 21, n. 64, p. 1-9. 7 jan. 2021.

Este texto foi originalmente publicado por Pesquisa FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui.