No primeiro semestre de 2023, 15 estudantes apresentam o trabalho de conclusão de curso de graduação em Farmácia, para obtenção do título de farmacêutica e farmacêutico:
Pós-Graduação
Nova edição da Jornada de Iniciação Científica discutirá a pesquisa na graduação
A Jornada de Iniciação Científica, organizada pelo CAFARMA a cada dois anos, chega à décima edição em 2023 reunindo estudantes, docentes e pesquisadores para discutir as atividades de iniciação científica no curso de Farmácia. É um espaço para apresentação de linhas de pesquisa da Faculdade de Ciências Farmacêuticas e também de partilha de experiências.
As inscrições estão abertas e são gratuitas.
29 de maio — segunda-feira — sala CB06
18:30 | Pesquisa em Farmacogenômica como ferramenta para a Farmácia Clínica, com Prof. Dr. Éder Pincinato
19:05 | Experiência Bolsa FAPESP em Farmácia Clínica: Carolini Neri — Relato da experiência com Bolsa FAPESP na área da Farmácia Clínica, com orientação da Prof. Dr. Patrícia Moriel. Seu projeto de pesquisa atual se refere à “miR-185-5p como possível biomarcador de gravidade da doença do coronavirus 2019 (COVID-19)”
19:35 | Pesquisa acerca da interação da microbiota intestinal e a saúde do hospedeiro – Valquiria Matheus — Palestra realizada pela pós doutoranda Valquiria Matheus, do Laboratório da Prof. Dr. Catarina Raposo, sobre o tema “Microbiota intestinal: um vasto campo para investigação científica”
30 de maio — terça-feira — sala IB02
12:30 | Palestra realizada pela Empresa Estadunidense DOW, produtora de produtos químicos, plásticos e agropecuários e desenvolvedora das Bolsas de Iniciação Científica DOW CRIE
13:00 | Experiência Bolsista PIBIC – DOW, pesquisa no IB: Giovanna Bedin — Relato da aluna Giovanna Bedin sobre sua experiência como Bolsista do Programa de Iniciação Científica DOW CRIE. Seu projeto é desenvolvido no IB, sob tutoria do Prof. Dr. Adriano Coelho, com o tema “Investigação de um potencial alvo molecular para a discriminação de espécies de Leishmania endêmicas no Brasil’
31 de maio — quarta-feira — sala IB02
18:30 | Como transformar sua IC em TCC? – Profª Drª Laura de Oliveira Nascimento
19:10 | Pesquisa em Síntese Bioinorgânica: Diego Zannin — Relato do aluno Diego Zannin sobre Iniciação Científica no Instituto de Química, trabalhando na área de Síntese Bioinorgânica
1º de junho — quinta-feira
12:30 | Palestra sobre o Desenvolvimento e Avaliação de Formulações Cosméticas e Dermatológicas, realizada pela Profª Drª Gislaine Ricci Leonardi, docente da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da UNICAMP.
13:00 | Experiência bolsista voluntário, pesquisa em farmacologia: Bruno Rodrigues — Palestra sobre o Projeto de Pesquisa “Alterações hemodinâmicas causadas pelo veneno da serpente coral Micrurus surinamensis”, realizado no FARBIOTOX – Laboratório de Farmacologia Bioquímica e Toxicologia.
Câmara Municipal de Campinas promove o 1º Seminário Uso Medicinal da Cannabis
Evento reúne especialistas no assunto, incluindo o Prof. Dr. José Luiz da Costa, a FCF/Unicamp
De 17 a 19 de maio de 2023, pesquisadores e ativistas se reunirão na Câmara Municipal de Campinas no Seminário Uso Medicinal da Cannabis. A iniciativa é do mandato da vereadora Paolla Miguel, líder da bancada do Partido dos Trabalhadores da casa legislativa.
A vereadora propõe a criação do Programa Municipal de Uso de Cannabis para Fins Medicinais, visando o fornecimento gratuito aos medicamentos derivados da Cannabis para doenças que são comprovadamente eficazes, como epilepsia, TEA, esclerose, doença de Alzheimer, fibromialgia, entre outras. Também é de sua autoria o PL 115/2022, esse para fomentar estudos e incentivar o desenvolvimento de pesquisas sobre os usos farmacêuticos, medicinais e industriais da cannabis e do cânhamo industrial – matéria que já recebeu parecer favorável da Comissão de Justiça e Legalidade.
As inscrições nas mesas-redondas podem ser feitas no site da Câmara Municipal, com direito a certificado de participação.
Na quarta-feira, 17 de maio, às 16 horas, será lançada a Frente Parlamentar pela Cannabis Medicinal e Cânhamo Industrial, com a intenção de acompanhar as legislações sobre o tema, inclusive os impactos da Lei 17618/23, sancionada pelo governador Tarcísio de Freitas, inclusive comentada recentemente na publicação A Bula, do Centro Acadêmico de Farmácia da Unicamp.
A Frente é composta pelos vereadores Carlinhos Camelô (PSB), Carmo Luiz (PODEMOS), Cecílio Santos (PT), Edison Ribeiro (União Brasil), Felipe Marchesi (PSB), Guida Calixto (PT), Gustavo Petta (PCdoB), Higor Diego (REPUBLICANOS), Jair da Farmácia (Solidariedade), Luiz Cirilo (PSDB), Mariana Conti (PSOL), Marrom Cunha (Solidariedade), Paulo Bufalo (PSOL), Paulo Gaspar (Novo), Permínio Monteiro (PSB), Rubens Gás (União Brasil), Zé Carlos (PSB).
Em seguida, a abertura, com o tema O lugar da cannabis medicinal na agenda municipal terá o farmacêutico Glauco Santos e o Prof. Dr. Luis Fernando Tófoli, da FCM/Unicamp e do Laboratório de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos — LEIPSI.
Na quinta-feira, 18 de maio, a programação segue com duas mesas redondas. Às 16 horas, o Prof. Dr. José Luiz da Costa, da FCF, participa da mesa-redonda Evidências científicas da cannabis e sistema endocanabinoide: potencialidades e formação na Medicina, junto com o Dr. Vinicius Barbosa, do Núcleo de Cannabis Medicinal do Hospital Sírio-Libanês, a Drª Elaine Nunes, da SBEC, e do Dr. Paulo Fleury.
Às 19 horas, as discussões seguem na mesa-redonda O papel da sociedade e da Universidade na efetivação das políticas públicas, com Marta Fontenele, Angela Aboin, Maria Carolina de Pádua Pinto, Paulo Cardoso Zomignani e João Felipe Agostini, da Liga de Ciências Canábicas e Psicodélicas da Unicamp.
Finalmente, na sexta-feira, 19 de maio, haverá outras duas mesas-redondas, às 16 horas e às 19 horas: Cannabis e Farmácia Viva: aspectos regulatórios e o lugar na medicina, com Francyelly Damas, Renata Monteiro, Roberta Souza e João Perfeito; e Direito à saúde e democratização do acesso à cannabis, com Vitor Ceribino, Lih Vitória, Marcos Gonçalves, Gabi Dainzei e Enor Machado de Morais.
CAFARMA organiza campeonato de pebolim
O Centro Acadêmico de Farmácia Viviane Ferrinho — CAFARMA está organizando um campeonato de pebolim para integração de estudantes, professores e funcionários. O torneio em duplas terá lugar no dia 11 de maio, quinta-feira, com início às 17h30, na sede do CA. A taxa de inscrição de cada dupla é de R$ 8,00, por Pix, e as inscrições serão aceitas até a véspera. Durante o evento serão vendidos lanches e bebidas.
Leia mais: Pebolim, Totó, Fla-Flu ou Pacau? Um breve histórico do campo esportivo no Brasil
Unicamp investe R$ 1,4 mi para prevenção e combate a incêndio na Engenharia Básica
A Engenharia Básica, onde se localizam as salas de aula da Faculdade de Ciências Farmacêuticas desde 2018, está recebendo adequações para um sistema de prevenção e combate a incêndio e obtenção do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros — AVCB. De acordo com o projeto, as salas de aula contarão com luminárias de emergência e detectores ópticos de fumaça no teto. Além disso, serão instaladas portas de emergência corta-fogo com barras antipânico para saída para a rua João Pandiá Calógeras e haverá sirenes nos corredores e sinalização de rota de fuga.
A empresa contratada — OFOS Serviços Prediais Ltda. — fará as instalações hidráulicas para a rede de hidrantes e as instalações elétricas dos sistemas de iluminação de emergência, de bombas de incêndio, de alarme e de detecção de incêndio, além de adequações necessárias, como instalação de sinalizações e portas de emergência, além de casa de bombas e reservatório de 18 metros cúbicos de água que ficarão em área externa, na Rua dos Flamboyants. O prazo é de 180 dias a partir da assinatura do contrato, que ocorreu no último dia 24 de janeiro.
A obra abrangerá toda extensão do edifício de 5730 metros quadrados, que também abriga outras salas de aula atualmente utilizadas pelo Instituto de Artes, bem como as instalações do Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais — NEPAM, incluindo o auditório “Daniel Hogan” e uma biblioteca. Em outras áreas do edifício estão os laboratórios da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação — FEEC, o Centro de Componentes Semicondutores e Nanotecnologias — CSSNano, e a Escola Livre de Música do Centro de Integração, Documentação e Difusão Cultural — CIDDIC. A gestão do complexo de salas de aula é da Diretoria de Logística e Infraestrutura para o Ensino — DLIE, órgão da Pró-Reitoria de Graduação.
O valor total do contrato é de R$ 1.442.215,00, sendo R$ 629.134,86 referentes à mão de obra e R$ 813.080,14 referentes aos materiais.
Recuperação da Engenharia Básica
As obras de prevenção e combate a incêndio fazem parte de um esforço mais amplo de recuperação do prédio, que é um dos mais antigos do campus de Barão Geraldo da Unicamp, onde funcionou inicialmente a Faculdade de Engenharia de Campinas.
O Relatório de Gestão 2017-2021 da Diretoria Executiva de Planejamento Integrado — DEPI ressaltava que na Engenharia Básica funcionavam “seis unidades entre faculdades (salas de aula e laboratórios) e centros e núcleos. Nesse contexto de responsabilidade diluída, inúmeros problemas estruturais, e constantes notificações do Ministério Público sobre as condições do prédio, a DEPI tem conduzido ações importantes na edificação, em quatro frentes de trabalho: projeto de acessibilidade para reforma dos banheiros, dos acessos e da quadra; projeto de prevenção e combate a incêndio, com vistas à obtenção do AVCB; projeto para reforma das instalações elétricas e substituição de todo o piso das áreas comuns”.
A reforma do piso foi executada no ano de 2021 e a reforma dos sanitários está prevista para ter início em breve.


FCF fará parte do CancerThera, novo CEPID da Unicamp
Imagem: Peter Schreiber
O Centro de Inovação Teranóstica em Câncer (CancerThera), sediado no Centro de Hematologia e Hemoterapia da Unicamp — Hemocentro, será um dos novos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) aprovados no Edital CEPID 2021. Esses centros, apoiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), têm como missão desenvolver investigação fundamental ou aplicada, focada em temas específicos; contribuir ativamente para a inovação por meio de transferência de tecnologia; e oferecer atividades de extensão voltadas para o ensino fundamental e médio e para o público em geral.
- Leia mais: FAPESP anuncia cinco novos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Agência FAPESP, 30/3/2023)
- Leia mais: Hemocentro da Unicamp sediará novo CEPID apoiado pela FAPESP (PRP Unicamp, 30/3/2023)
- Leia mais: Centro de Pesquisa utilizará inovação para tratar câncer (Correio Popular, 5/4/2023)
O projeto terá início em maio de 2023 por um período de cinco anos, que poderá ser estendido, no máximo, por mais dois períodos de três anos. O CancerThera reunirá uma equipe de especialistas de diversas áreas, incluindo Oncologia Clínica, Onco-Hematologia, Química, Medicina Nuclear, Farmácia, Estatística, Biologia e Física, para a criação e manipulação de produtos farmacêuticos e radiofármacos para o diagnóstico e tratamento do câncer em uma abordagem teranóstica. O conceito geral de teranóstico (terapia e diagnóstico) envolve a identificação de uma molécula ativa relacionada a um alvo tratável e, subsequentemente, a radiomarcação desta molécula para diagnóstico (emissores de raios gama ou de pósitrons) e fins terapêuticos (alfa ou beta-emissores).
O pesquisador responsável pelo Centro é o Prof. Dr. Cármino Antonio de Souza, médico hematologista da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, presidente do Conselho Curador da Fundação Butantan e membro do Conselho Superior da FAPESP.
Participação da FCF
A Faculdade de Ciências Farmacêuticas, por meio do Prof. Dr. João Ernesto de Carvalho e da pesquisadora Dra. Ana Lúcia Tasca Gois Ruiz, do Laboratório de Fitoquímica, Farmacologia e Toxicologia Experimental — LaFTEx, pesquisadores associados do projeto, participará do CEPID avaliando as atividades antiproliferativas e citotóxicas e toxicidades de novos compostos em linhagens de células tumorais e modelos de tumores em animais. A equipe será liderada pela Profª Drª Carmen Silvia Passos Lima, do Laboratório de Genética do Câncer da Faculdade de Ciências Médicas, e também será composta pelo professor titular aposentado José Vassallo, do Laboratório MultiPat, pelo biologista Gustavo Jacob Lourenço, da FCM, e pela médica oncologista do Hospital de Clínicas Lígia Traldi Macedo, além de bolsistas.
Pesquisa básica e pesquisa clínica
O CancerThera será dividido em duas equipes interligadas — Pesquisa Básica e Pesquisa Clínica — que desenvolverão projetos convergentes, em interação contínua. O novo CEPID terá como aliado o Programa de Cooperação Técnica em vigor com a Agência Internacional de Energia Atômica — AIEA, um dos braços da Organização das Nações Unidas, para implantação de um Centro Nacional de Ensino e Treinamento em Radiofarmácia em Medicina Nuclear. Espera-se que os radiofármacos produzidos com sucesso na Pesquisa Básica sejam utilizados na fase 1 e, eventualmente, na fase 2 de estudos clínicos. Da mesma forma, novas aplicações de medicamentos conhecidos terão sua radiomarcação monitorada pelos pesquisadores da Pesquisa Básica. Para garantir a apropriação dos resultados do CancerThera pela sociedade, diversos atores de diversas instituições serão interligados entre pesquisadores, acadêmicos, organismos de pesquisa, agências de fomento nacionais e internacionais, microempresas e grandes empresas, governos (estaduais e municipais), imprensa e, em última instância, a sociedade brasileira.
Oportunidade de Bolsa TT3 em imunoterapia no LNBio
O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais — CNPEM, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo —FAPESP, oferece uma Bolsa de Treinamento Técnico (TT3) para o grupo de pesquisa em Imunoterapia do Laboratório Nacional de Biociências — LNBio, que atua no desenvolvimento de estratégias terapêuticas para coestimulação de células T e inibição de células T regulatórias, utilizando ferramentas derivadas de vacinas antitumorais, nanopartículas imunomodulatórias e aptâmeros quiméricos.
Sobre o projeto
No estágio haverá treinamentos em cultura de célula, citometria de fluxo, biologia molecular e experimentação animal, com ênfase na geração de ferramentas biotecnológicas, testes in vitro e ensaios in vivo com vacinas antitumorais, produzidas no LNBio – CNPEM. Além de atividades laboratoriais o candidato deverá preparar projeto para pós-graduação, com objetivo de continuidade em nosso grupo.
Sobre a modalidade da Bolsa
A Bolsa de Treinamento Técnico (TT-3) tem valor de R$ R$ 1.412,80 mensais e é direcionada para alunos graduados do nível superior, sem reprovações em seu histórico escolar e sem vínculo empregatício, com dedicação de 40 horas semanais às atividades de apoio ao projeto de pesquisa. O tempo de bolsa TT-3 será descontado no caso de o interessado vir a usufruir de Bolsa de Mestrado. A vigência da bolsa será de 24 meses. Para saber mais informações sobre a modalidade de Bolsa de Treinamento Técnico, consulte o site da FAPESP.
Como se candidatar
Podem se candidatar para a bolsa profissionais graduados em Farmácia, Biomedicina, Biologia, Química, Veterinária, Medicina dentre outras correlatas e ter interesse em ingressar em uma pós-graduação (mestrado ou doutorado).
Os interessados deverão enviar súmula curricular no formato FAPESP e link para o CV Lattes, para o endereço marcio.bajgelman@lnbio.cnpem.br até o dia 30 de abril de 2023.
Toxicologia da Unicamp promove Escola de Inverno
A I ESITOX — Escola de Inverno em Toxicologia da Unicamp é um curso de extensão universitária gratuito, oferecido pelo Programa de Pós-Graduação em Farmacologia da Universidade Estadual de Campinas. A primeira edição ocorrerá entre 17 e 21 de julho de 2023, com aulas teóricas e práticas, e será totalmente gratuita, permitida a participação de estudantes de graduação e recém-graduados em Farmácia, Biomedicina, Ciências Biológicas, Odontologia, Medicina, Medicina Veterinária ou áreas fins que tenham cursado e/ou estejam cursando disciplinas como Toxicologia, Farmacologia, Análise Instrumental, Química Analítica, Fisiologia, Bioquímica ou Química Orgânica.
As inscrições serão aceitas de 17 de abril a 17 de maio de 2023, conforme documentação prevista em edital.
A Comissão Organizadora é composta pelo Prof. Dr. José Luiz da Costa, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, e pelos estudantes de pós-graduação Lohanna Pereira El Haddad, Leonardo Costalonga Rodrigues (egresso do curso de Farmácia da FCF), Náthaly Cristine Bueno Faria dos Santos, Karla Aparecida de Oliveira Souza e Lilian de Araújo Lima.
Pesquisadores acham fentanil no sangue de usuários de drogas
Opioide de uso hospitalar potencializa outros entorpecentes e pode levar a morte
Texto: Ronnie Romanini | Foto: Rodrigo Zanotto (Correio Popular)

O Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox), da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), emitiu um alerta após encontrar fentanil, um opioide de uso hospitalar, em substâncias psicoativas na região de Campinas. O fentanil é extremamente potente e, atualmente, é a droga que mais mata pessoas nos Estados Unidos (EUA).
Ela é considerada muito mais forte do que a heroína, além de ser extremamente viciante e causar uma abstinência dolorosa. Embora especialistas acreditem que o Brasil não viverá uma epidemia de abuso da substância, como acontece nos EUA, o alerta é importante para pelo menos três grupos específicos: profissionais que trabalham em serviços de emergência e no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU); usuários de substâncias psicoativas e agentes de segurança pública, que eventualmente possam participar de apreensões da droga.
O fentanil foi detectado em pacientes que utilizaram drogas de abuso por meio de análises realizadas pelo Laboratório de Análises Toxicológicas (LTA) do CIATox. Drogas de abuso é um termo genérico para um conjunto de substâncias que são consumidas indiscriminadamente sem a prescrição de um profissional competente. O professor José Luiz da Costa, coordenador executivo do CIATox, e o mestre em Ciências do Laboratório de Toxicologia, Rafael Lanaro, também responsável pelas análises, explicaram que os pacientes haviam utilizado drogas como K2 (canabinoide sintético), LSD e cocaína, batizadas com fentanil. Ainda houve a utilização do opioide em um provável golpe de “Boa noite, Cinderela”.
No momento, o alerta tem especial utilidade para o SAMU e demais serviços de emergência, possibilitando que os profissionais que prestam socorro estejam atentos para identificar indícios de intoxicação por opioides. Os principais sintomas de abuso da substância psicoativa são conhecidos como “tríade opioide”: depressão neurológica, depressão respiratória e pupila miótica — quando a pupila se contrai e fica bastante fechada, pequena. Ao observar sinais de baixo nível de consciência e falta de ar, os profissionais podem agir rapidamente e salvar a vida do paciente, já que há um antídoto para combater a intoxicação.
“Se a pessoa tem esses três sintomas, o clínico tem que ter essa percepção de que pode ser fentanil. Ele pode consultar o CIATox, o que é bem importante, mas em uma situação de emergência ele tem esse treinamento para usar o antídoto Naloxona, que existe e está disponível. Em outros países, como os EUA, é comum a população ter Naloxona em casa”, explicou Lanaro.
O alerta aos profissionais de saúde é ainda mais necessário considerando que a cocaína e o crack são as drogas prevalentes nos casos de intoxicação no Brasil, portanto o tratamento é direcionamento para estas substâncias – abrindo a possibilidade de um médico de emergência sequer considerar a possibilidade de um opioide. As equipes devem estar atentas para a possibilidade, mesmo que rara, de intoxicação por fentanil e utilizar o antídoto. Ele é seguro, tem resposta relativamente rápida e recupera a função respiratória prejudicada, ajudando a controlar a situação do paciente e eventualmente salvando vidas.
Outro motivo importante para o alerta é que o uso do fentanil é comum em alguns procedimentos médicos para minimizar a dor, como na intubação. A apreensão de 31 frascos de fentanil em uma operação da Polícia Civil no Espírito Santo elevou a preocupação, pois um aumento do número de substâncias, como a cocaína, contaminadas com o opioide, pode levar a mais casos de intoxicação e ter um grande efeito no socorro e no tratamento.
“Se há uma depressão respiratória e o paciente vai intubar, usa-se fentanil. Então, vai aumentar ainda mais a exposição e o que seria para ajudar pode causar uma piora”, disse o Lanaro, responsável técnico pelas análises toxicológicas do CIATox.
Em São Paulo, o Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc) apreendeu 1.229 frascos de fentanil entre 2020 e 2022, totalizando 12.290 ml. No dia 8 de fevereiro deste ano, o Denarc confiscou 810g da substância em Carapicuíba. Calcula-se que esta quantia pode representar 500 mil doses.
Os casos de 2023
O CIATox identificou em ao menos quatro pacientes o uso involuntário de fentanil. Em um dos casos, o opioide foi utilizado como “Boa noite, Cinderela”. Ele foi encontrado em uma garota que suspeitava ter sido dopada. Na análise, nenhuma das substâncias comumente utilizadas no golpe do “Boa noite, Cinderela” foi encontrada. De acordo com Lanaro, ela contou que em uma festa encontrou uma pessoa que usou cocaína. Ela não se lembrava mais de nada a partir deste momento.
“Ela disse que não é usuária, nunca tinha usado drogas. Chegou no hospital inconsciente. E chamou a atenção porque fentanil sendo utilizado como ‘Boa noite, Cinderela’ é extremamente perigoso, e foi o que aconteceu agora no início do ano.”
Nos demais casos, os pacientes relataram ter usado algum tipo de substância psicoativa e também não tinham conhecimento de fentanil, porém a análise mostrou que as drogas estavam contaminadas. Um havia usado cocaína, outro LSD e o terceiro o canabinoide sintético K2.
“No caso do K2, um usuário diz que está usando essa droga, mas quimicamente podem ser inúmeras moléculas, inúmeras substâncias, e estamos percebendo isso. Esse paciente em nenhum momento recebeu fentanil no hospital, não estava intubado. Ele não tinha sintomas de intoxicação por opioide, mas foi encontrado um nível de fentanil”.
No caso da cocaína, por exemplo, o paciente também se mostrou surpreso com a detecção. Ele confirmou que tinha usado cocaína, mas não fentanil.
“A gente não sabe dizer os motivos pelos quais colocam o fentanil nas drogas, mas esses quatro casos não foram agudos. Foram casos em que o efeito principal era outra droga, mas a presença do opioide chamou a atenção – em uma concentração que não estava causando efeito agudo. Ninguém foi intubado, mas tinha esse efeito diferente de 2016. Os casos de 2016 foram casos agudos, graves, em que foi preciso entrar com antídoto”.
Cuidado na apreensão
Os especialistas do CIATox apontaram que o alerta também é útil para os integrantes das forças policiais, que, eventualmente, podem participar de apreensões da substância.
Para exemplificar, o coordenador executivo do CIATox, José Luiz da Costa, mostrou um vídeo à reportagem. Dois policiais dos EUA contam a experiência que tiveram ao inalar por acidente a substância. Ao lacrá-la em um saco, o ar saiu espalhando uma pequena quantidade de pó. Eles relataram dificuldade para respirar, profunda desorientação e a sensação de que o corpo estava desligando totalmente. Nos Estados Unidos, laboratórios de síntese são muito mais comuns. Apenas em 2022, estima-se que cerca de 70 mil pessoas morreram por causa do fentanil nos Estados Unidos.
Aqui no Brasil, a recomendação é que os policiais não se descuidem e protejam-se com luvas e máscaras em caso de participação em alguma apreensão.
Por enquanto, os especialistas do CIATox analisam que o fentanil pode causar mortes, mas o uso não deve evoluir muito no Brasil. A preocupação é necessária, especialmente na contaminação de drogas mais utilizadas. Ele considera ser difícil que laboratórios de síntese de fentanil sejam encontrados no Brasil. O mais provável, de acordo com o professor José Luiz, é que a droga utilizada de maneira não terapêutica seja produto de descaminho da indústria farmacêutica. Isso pode acontecer por meio de roubo de carga ou de desvio em hospitais, por exemplo.
Ele destacou a parceria entre o CIATox e o governo federal, que firmaram um convênio por três anos com o investimento de mais de R$ 2 milhões.
“O financiamento desse laboratório, de como estamos fazendo esse monitoramento hoje em dia, é do governo federal, por meio de um convênio firmado entre a Unicamp e a Secretaria Nacional de Política sobre Drogas (SENAD), do Ministério da Justiça. Desde o ano passado fazemos esse monitoramento sobre o uso de drogas em hospitais, festas e assim por diante”, concluiu.
Ingressante da vaga olímpica no curso de Farmácia da Unicamp é destaque do Instituto Butantan
No início do mês, o Instituto Butantan noticiou o ingresso de dois estudantes na Universidade Estadual de Campinas por meio das Vagas Olímpicas. A instituição é organizadora da Olímpiada Brasileira de Biologia — OBB, uma das treze olimpíadas aceitas para ingresso no curso de Farmácia.
Este foi o curso escolhido pela estudante Tainá Poma da Silva, medalhista de ouro da OBB 2022, que conseguiu a tão sonhada vaga na universidade pública. Ela ocupou a vaga do curso de Farmácia da Unicamp reservada ao ingresso na modalidade Vagas Olímpicas, alternativa de acesso aos cursos de graduação da Universidade desde 2019. Em 2023, as Vagas Olímpicas da Unicamp chegou à quinta edição com recorde de inscritos. Neste ano, a vaga da Farmácia foi disputada por sete candidatos, relação candidato-vaga que é maior do que a da segunda fase do Vestibular Unicamp para o mesmo curso.
O texto divulgado pelo Butantan:
Quando soube que havia entrado em uma universidade pública chorei de alegria”, diz Tainá Poma da Silva, 18 anos, aprovada em farmácia na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), na modalidade olímpica 2023. Isso porque, no ano anterior, a estudante conquistou o certificado de ouro na Olimpíada Brasileira de Biologia (OBB), organizada anualmente pelo Instituto Butantan.
Apaixonada por biologia, Tainá não poupou esforços ao participar do evento por três vezes, até conquistar seu objetivo. “Minha maior motivação foi saber que algumas universidades públicas contavam com a modalidade olímpica. Me esforcei para mandar bem na OBB, já que não teria condições de pagar por faculdades privadas”, afirma.
As chamadas “vagas olímpicas” são conferidas por um sistema de pontuação que tem como base o desempenho obtido pelo aluno, combinado a critérios específicos determinados por cada universidade – dispensando, assim, a necessidade de um vestibular. “Isso representa mais uma via de ingresso nas melhores universidades públicas do Brasil e uma transformação no método de seleção, reconhecendo aquilo que o estudante tem de melhor”, explica a coordenadora nacional da OBB, Sonia de Andrade Chudzinski.
Durante o período preparatório para a olimpíada, Tainá contou com a ajuda de um de seus professores, que organizou grupos de reforço para participantes da OBB. Além disso, ela organizou grupos de estudos em parceria com as amigas. “O apoio que demos umas às outras foi essencial. No final, todas nós conquistamos medalhas”, explica a jovem, reconhecendo a força e o exemplo que é para outras meninas.
O apoio da família, sempre fundamental, fez da escolha mais uma alegria. Agora, Tainá vislumbra novas possibilidades para o seu futuro: quer fazer atendimento ao público, mas também trabalhar em laboratório.













