Defesa de Tese de Doutorado — Roney Vander dos Santos
Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas
Roney Vander dos Santos
Investigação de metabólitos especializados e de produtos naturais com potencial antitrombótico: Salvia, Athrospira e Sargassum
Auditório MD02
Presidente
Profª Drª Ljubica Tasic — IQ / Unicamp
Membros titulares
Prof. Dr. Andrei Leitão — IQSC / USP
Profª Drª Lúcia Pinheiro Santos Pimenta — ICEx / UFMG
Dr. Ivan Rosa e Silva — LNBio / CNPEM
Profª Drª Susan Elisabeth Domingues Costa Jorge — FCM / Unicamp
Membros suplentes
Prof. Dr. Jörg Kobarg — FCF / Unicamp
Profª Drª Elisandra Scapin — UFT
Dr. Lucas Rego Ramos — CCS / UFRJ
Resumo
Introdução: Este trabalho investigou o potencial fibrinolítico de produtos naturais de diferentes origens biológicas, com ênfase em diterpenos abietanos quinônicos (tanshinonas) e ácidos fenólicos de Salvia miltiorrhiza, bem como polissacarídeos de Sargassum sp. e Arthrospira maxima, integrando etapas de extração, caracterização química, avaliação biológica in vitro e estudos in silico de ancoramento molecular direcionados a alvos da cascata de coagulação e fibrinólise. A pulverização prévia da raiz de S. miltiorrhiza aumentou a eficiência de extração, resultando em rendimento de 3,1 ± 0,4% de extrato bruto (E.B.). A partição líquido–líquido permitiu a obtenção de frações enriquecidas em metabólitos polares e apolares, sendo que a fração aquosa (F.A.) apresentou rendimento aproximado de 32,6% em relação ao E.B., concentrando principalmente ácidos fenólicos. A caracterização por cromatografia em camada delgada (CCD), cromatografia líquida de alta eficiência (CLAE) e cromatografia líquida acoplada à espectrometria de massas de alta resolução (CL-EMAR) confirmou a presença de ácido danshensu (AcD), ácido cafeico (AcC), ácido rosmarínico (AcR) e ácido salvianólico B (AcSB), bem como dos diterpenos tanshinona I (TAN), tanshinona IIA (TANIIA), criptotanshinona (CRIPTO) e dihidrotanshinona (DIHIDRO), com identificação de adutos característicos (M+H)+ e (M+Na)+. A hidrólise da CRIPTO possibilitou a obtenção da neocriptotanshinona (NEOCRIPTO), cuja diferença estrutural foi evidenciada por espectroscopias no ultravioleta–visível (UV-Vis), infravermelho com transformada de Fourier (IV-TF) e ressonância magnética nuclear (RMN), incluindo sinal largo em 9,75 ppm associado ao equilíbrio ceto–enólico. Os polissacarídeos apresentaram bandas típicas de polissacarídeos sulfatados no IV-TF, e o polissulfonato de A. maxima (rendimento aproximado de 3%) exibiu banda mais intensa na região de estiramento S=O. Nos ensaios antiproliferativos, o E.B., as frações e os compostos isolados demonstraram atividade relevante em diferentes linhagens tumorais, embora com baixa seletividade frente a células não tumorais. A NEOCRIPTO destacou-se pela elevada potência antiproliferativa, sugerindo potencial para futuras modificações estruturais. Na avaliação da modulação do inibidor do ativador do plasminogênio tipo 1 (IAP-1) em células HepG2, o E.B., a fração enriquecida em tanshinona IIA (FRTANIIA) e a fração enriquecida em criptotanshinona (FRCRIPTO) reduziram os níveis proteicos na maior concentração testada, enquanto a NEOCRIPTO apresentou comportamento distinto, mantendo ou elevando esses níveis. O alginato induziu aumento de IAP-1, e o polissulfonato apresentou resposta intermediária. Nos experimentos de ressonância magnética nuclear por diferença de transferência de saturação (RMN-DTS), apenas o derivado sulfonado da tanshinona IIA, denominado sultanato de tanshinona IIA (SULTANIIA), demonstrou interação direta com IAP-1, em concordância com os resultados de ancoramento molecular, que também indicaram energias de ligação favoráveis para o composto 42 (rvs_11). Em conjunto, os resultados evidenciam que modificações estruturais pontuais no núcleo diterpênico influenciam significativamente o perfil biológico, indicando que derivados específicos podem apresentar maior potencial como moduladores de alvos envolvidos na fibrinólise, além de revelarem atividade antitumoral relevante.



