Entrevista da CBN Campinas com a professora Priscila Gava Mazzola, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Unicamp, abordou as recentes mudanças nas regras da Anvisa que visam facilitar o acesso à cannabis medicinal no Brasil e destravar a pesquisa científica, que antes esbarrava em burocracia e altos custos. Um estudo mapeou entraves críticos no setor, e as novas sinalizações da agência incluem regras para o cultivo por pessoas jurídicas e a permissão para farmácias de manipulação produzirem formulações mediante prescrição individual. Essas medidas são vistas como um marco que reduz as “zonas cinzentas” da legislação, trazendo regras mais claras para o cultivo institucional e novas vias de administração.

Para o campo da pesquisa e desenvolvimento, a professora Priscila Mazzola explicou que a decisão diminui o risco regulatório e melhora a logística de acesso a insumos, permitindo um planejamento mais previsível para projetos científicos. Embora não elimine todos os obstáculos estruturais, como a dependência de importação, a autorização para manipulação magistral é destacada como um ganho importante, pois permite a individualização do tratamento (ajuste de doses) e valoriza o papel técnico do farmacêutico na construção terapêutica, ampliando a rede de atendimento.

Do ponto de vista do paciente, a expectativa é que essas mudanças ajudem a reduzir os preços e a dependência de poucos fornecedores, garantindo produtos seguros e padronizados. Foi mencionada a dificuldade de famílias que não conseguem arcar com os custos dos importados, como no caso de uma mãe de gêmeos autistas. Como alternativa imediata para quem não tem condições financeiras, é sugerido que os prescritores encaminhem os pacientes para associações sérias, que muitas vezes oferecem medicamentos a custos menores ou até gratuitamente para casos de vulnerabilidade.

Artigo anteriorJornal da EPTV: Novas regras da Anvisa beneficiam pesquisas da Unicamp sobre cannabis medicinal
Próximo artigoSegunda chamada dos aprovados no curso de Farmácia em 2026