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Defesa de Tese de Doutorado — Ailane Souza de Freitas

9 09America/Sao_Paulo dezembro 09America/Sao_Paulo 2025 @ 14:00 - 18:00

Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas

Ailane Souza de Freitas

Avaliação da associação de extrato de Fridericia chica (bonpl.) L.g. Lohmann e da fração rica em tocotrienóis obtida de extrato de Bixa orellana Lineu na atividade cicatrizante

Auditório da FCF (MD02)

Presidente
Profª Drª Mary Ann Foglio — FCF / Unicamp

Membros titulares
Profª Drª Vanessa Gisele Pasqualotto Severino — IQ / UFG
Profª Drª Jane Eire Silva Alencar de Menezes — CCT / UECE
Profª Drª Catarina Raposo Dias Carneiro — FCF / Unicamp
Profª Drª Alexandra Christine Helena Frankland Sawaya — FCF / Unicamp

Membros suplentes
Profª Drª Priscila Gava Mazzola — FCF / Unicamp
Prof. Dr. Carlucio Roberto Alves — CCT / UECE
Profª Drª Fabiana Volpe Zanutto — Ulster University

Resumo

Fridericia chica (Bonpl.) L.G. Lohmann (Sin. Arrabidaea chica Verlot), planta com elevado potencial cicatrizante e popularmente conhecida no Brasil como crajiru ou chica, apresenta na composição de suas folhas 3-deoxiantocianidinas, um seleto grupo de flavonoides conhecidos por serem instáveis e sofrerem rápida degradação quando expostos à luz, temperatura e oxigênio. Devido ao seu elevado poder antioxidante, a Fração Rica em Tocotrienois 70% (FRT), um subproduto do processo de produção da bixina (Bixa orellana L.) tem sido estudada pelo nosso grupo em associação com F. chica como possível agente atenuante do processo de oxidação e como potencializador dos efeitos cicatrizantes do extrato. O objetivo deste trabalho foi avaliar o potencial cicatrizante desta associação. O extrato bruto seco (EBS) de F. chica foi produzido pelo processo de extração à frio com etanol 70% + 0,3% ácido cítrico. A FRT foi fornecida pelo Dr. Paulo Carvalho do Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL – Campinas, SP, Brazil). O EBS foi avaliado quanto ao seu teor de flavonoides, fenólicos e atividade antioxidante (DPPH e FRAP). Também foram quantificados os teores de carajurina, apigenina e luteolina e realizadas análises físico-químicas (pH, umidade, sólidos totais e densidade aparente). O EBS e suas associações com a FRT foram avaliados em diferentes concentrações em modelos in vitro utilizando linhagens não tumorais HaCaT e 3T3. A combinação mais promissora foi selecionada para análises de cicatrização de úlceras gástricas em modelos in vivo induzidos por etanol, ácido acético e ligadura de piloro. Duas formulações (F1 e F2) contendo a associação também foram avaliadas através de estudo de estabilidade acelerada nos parâmetros de MEV (Microscopia Eletrônica de Varredura), DLS (Dynamic Light Scattering), teor de ativos, cor, atividade de água, pH e massa média por 180 dias, em temperatura ambiente, geladeira e estufa (40⁰C/75%U), além de análises in vivo de úlcera gástrica induzida por etanol e ligadura de piloro. Os resultados mostraram que a associação de F. chica com a FRT nas proporções 90:10 e 99:1 foram menos citotóxicas. A combinação 90:10 promoveu aumento significativo na produção de muco gástrico, melhorou a qualidade e aumentou a velocidade do processo cicatricial, sendo observadas fibras de colágeno organizadas, bem definidas, com áreas de mucosa mais recuperadas, tanto na úlcera aguda como na crônica. Durante 180 dias, as imagens da MEV da F2 indicaram estruturas com aspecto poroso, sem furos ou fissuras e tamanho heterogêneo, corroborando com as médias totais de DLS (537,2±154,7 nm, 333,4±127,9 nm e 420,6±95,8 nm; PdI: 0,5±0,1, 0,4±0,1 e 0,4±0,1; ZP: -29,3 ± 2,5 mV, em ambiente, estufa e geladeira, respectivamente). A F1 apresentou partículas heterogêneas e com furos, indicando liberação antecipada das nanoestruturas. As medidas de DLS também mostraram uma maior polidispersão de F1. O armazenamento em temperatura ambiente de F2 promoveu queda no teor de carajurina de 14% em 120 dias, enquanto F1 apresentou queda de 55% para o mesmo período e para as mesmas condições. As formulações mantiveram a cor na faixa do vermelho e baixa atividade de água. A formulação F2 selecionada não apresentou úlceras gástricas, potencializando os efeitos do colágeno hidrolisado da formulação. A associação F. chica + FRT mostrou-se útil na cicatrização de feridas gástricas agudas e crônicas, acelerando o processo de cicatrização e sua utilização em formulação micro e nanoestruturada promoveu a proteção dos compostos em temperatura ambiente por até 120 dias e potencializou efeitos do colágeno, podendo ser indicada para o tratamento de diversos processos cicatriciais.

Detalhes