Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas
Érica Mendes dos Santos
Valorização de subprodutos de açaí e cajá no desenvolvimento de formulações farmacêuticas
Auditório MD02
Presidente
Profª Drª Priscila Gava Mazzola — FCF / Unicamp
Membros titulares
Prof. Dr. Marlus Chorilli — FCFAr / Unesp
Prof. Dr. Marco Vinícius Chaud — UNISO
Profª Drª Denise Grotto — UNISO
Drª Samara Eberlin — Grupo Kosmoscience
Membros suplentes
Prof. Dr. Ademir Evangelista do Vale — FACFAR / UFBA
Prof. Dr. Ademar Alves da Silva Filho — UFJF
Profª Drª Angelica Ribeiro Soares — NUPEM / UFRJ
Resumo: A crescente demanda por produtos sustentáveis e inovadores tem impulsionado a busca por novas fontes de compostos bioativos e biomateriais para aplicações farmacêuticas e cosméticas. Portanto, esta tese teve como objetivo desenvolver e caracterizar diferentes sistemas para aplicação tópica utilizando extratos obtidos de resíduos agroindustriais de açaí (Euterpe oleracea Mart.) e cajá (Spondias mombin L.), bem como uma esponja polimérica de liberação controlada contendo curcumina. Inicialmente, os extratos dos caroços de açaí e cajá foram avaliados quanto às suas propriedades biológicas. Os resultados demonstraram boa atividade antioxidante, com 95,75% e 98,31% de inibição do radical DPPH para os extratos de açaí e cajá, respectivamente. Além disso, ambos apresentaram atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus, com concentração inibitória mínima (CIM) de 3,13 mg/mL, evidenciando o potencial desses resíduos como fontes de compostos bioativos para aplicações tópicas. Com base nesses resultados, foram desenvolvidas membranas polissacarídicas contendo os extratos vegetais. As formulações apresentaram propriedades mecânicas adequadas, boa adesão, permeabilidade ao vapor de água, citocompatibilidade e manutenção da integridade estrutural em fluido corporal simulado. A incorporação dos extratos não comprometeu as características da matriz polimérica, demonstrando a compatibilidade entre os componentes e a viabilidade do sistema para aplicação tópica. Também foram desenvolvidas emulsões contendo os extratos de açaí e cajá. As formulações mantiveram estabilidade física e físico-química durante 90 dias de armazenamento, apresentaram baixos índices de instabilidade avaliados por LUMiSizer®, boa espalhabilidade e ausência de citotoxicidade em baixas concentrações, indicando potencial para futuras aplicações farmacêuticas e cosméticas. Além disso, foi desenvolvida uma esponja de alginato contendo microesferas de κ-carragena carregadas com curcumina. As microesferas apresentaram eficiência de encapsulação próxima de 90% e liberação do composto superior a 70%, enquanto a esponja demonstrou elevado grau de intumescimento e liberação gradual da curcumina, atingindo 67,93 ± 0,61% ao longo do ensaio. De forma geral, os resultados demonstram que a combinação de biomateriais naturais com compostos bioativos provenientes de resíduos agroindustriais possibilita o desenvolvimento de diferentes plataformas para aplicação tópica. Além de apresentarem propriedades tecnológicas e biológicas promissoras, os sistemas desenvolvidos contribuem para a valorização sustentável de subprodutos de açaí e cajá, reforçando seu potencial para a obtenção de formulações inovadoras de maior valor agregado.
